Artimanhas do Diabo

A TUA PELE



Penetrar

Por esse rio abrupto
Circunstancial
Que carrega toda a energia
Capaz de destruir todos os sonhos
De uma vida cheia
E nele nadar
Com o vigor de um cardume de salmões
Em busca de águas profundas
E se o frio me importunar
Gritar
Até que a chama da sensualidade
Roce as minhas mãos suadas
E com elas possa escrever
No vidro da janela
Com ajuda de um sopro quente
Num dia frio de inverno
E o indicador a tornear
Cada uma das letras que fazem parte
Do teu nome
Como se cada uma delas
Fosse uma das pétalas da flor
Que carregas desde o batismo
E roçar nos teus lábios
Toda a minha paixão exaltante
Olhar-te nos teus olhos
Onde possa ver os meus!
Olhar-te de frente
Percorrer os teus contornos
Alisar a tua fronte
Descansar nos teus silêncios
Estender-me
No regaço das tuas coxas
Olhar a gruta
Por onde caem
Finos novelos de água
E nesse instante
Ver como te redobras
Iluminada pelo tracejado rubro
Das tuas faces
Que não se atrevem a parar
E sentir a tua energia
A descarregar sobre mim!
E não
Não poderia passar
Mais uma noite em claro
Sem voltar a descer o rio
Para tornar inolvidável
Pelo menos
O odor cristalino da tua pele!

 
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